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A FCS (Frente Parlamentar de Comércio e Serviços), juntamente com a UNECS (União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços) manifestam sua preocupação institucional acerca de iniciativas que representem ou sinalizem intervenção externa nas atribuições legais, técnicas e regulatórias do Banco Central do Brasil, especialmente no âmbito de processos de supervisão e resolução do sistema financeiro.
A autonomia operacional e decisória do Banco Central constitui um pilar fundamental da estabilidade econômica, da previsibilidade regulatória e da confiança dos agentes econômicos. Decisões dessa natureza são baseadas em critérios técnicos, prudenciais e legais, e sua eventual revisão ou interferência por instâncias alheias ao processo regulatório cria insegurança jurídica, amplia riscos sistêmicos e compromete o ambiente de negócios.
Processos de liquidação extrajudicial, por sua própria natureza, envolvem medidas complexas, muitas vezes de difícil reversão, justamente para preservar o valor dos ativos, proteger o sistema financeiro e evitar efeitos adversos em cadeia. A fragilização dessas decisões técnicas pode estabelecer precedente institucional preocupante, com impactos diretos sobre o crédito, o investimento, o emprego e a atividade econômica.
A FCS e a UNECS registram que entidades representativas do sistema financeiro nacional também já se manifestaram publicamente no sentido de reafirmar total confiança na atuação técnica do Banco Central, destacando ser imprescindível preservar sua independência institucional e a autoridade de suas decisões, como condição essencial para um sistema financeiro sólido, resiliente e íntegro.
O setor de comércio e serviços, responsável por parcela expressiva da geração de empregos e da movimentação econômica do país, depende de um ambiente macroeconômico estável, previsível e ancorado em instituições fortes e respeitadas. Qualquer sinal de enfraquecimento desse arranjo institucional gera incertezas que penalizam toda a sociedade.
Defendemos o respeito às competências legais de cada instituição, o diálogo responsável entre os Poderes e a preservação dos fundamentos que sustentam a estabilidade econômica e financeira do Brasil, colocando-se à disposição para contribuir de forma construtiva com o debate público.
A nota foi assinada pelos presidentes da FCS no Senado, Efraim Filho (União Brasil- PB), e da Câmara dos Deputados, Domingos Sávio (PL-MG), e pelo presidente da UNECS, Leonardo Miguel Severini.